Titulo provisório on line

porque, apesar de tudo, vale a pena

Antes do título, há sempre uma ideia (maior que o título, espera-se) que dá corpo e razão a todo o processo de materialização de algo (ou em algo).
No caso patente, quisemos, debaixo da designação «Título Provisório», lançar uma edição que ajudasse a divulgar as artes do espectáculo feitas em Portugal, que servisse para colmatar algumas lacunas que todos— quer os que estão do lado do palco, quer os que estão entre as plateias (os públicos, que como sabemos somos nós todos)— sentimos. A necessidade de poder ler, aprender um pouco mais, conhecer melhor as formas de fazer e pensar o teatro e a dança, os criadores e os seus métodos, os seus propósitos e objectos. A vontade de encontrar reunidas nas páginas que pensamos um cartaz o mais abrangente possível, de todo o país, para sentirmos verdadeiramente o pulsar de uma área que nem sempre encontra o espaço que merece em termos de comunicação e que, por isso mesmo, sofre o desgaste de um menor reconhecimento, especialmente no que toca às zonas mais experimentais e alternativas— exactamente aquelas que marcam o tempo que é nosso e podem alterar o que virá a ser futuro.
Conseguimos concretizar o primeiro número em papel, dando margem ao nascimento de algo. Mas as contingências do período que enfrentamos não permitiram seguir logo em frente, ganhando a velocidade que gostaríamos. Não vamos entrar no mundo das queixas— para quê? Todos conhecemos o que se passa. Decidimos, porém, que não podíamos deixar cair os bruços inertes. As ideias são mais importantes, os espectáculos vão, apesar de tantas dificuldades, ganhando os palcos.
Por isso, aqui está, on line, em princípio até Setembro, o TP nº2.
Agradecemos desde já todas as vozes que nos deixaram uma palavra de parabéns pelo anterior número, todas as ofertas de colaboração que surgiram. São bem vindas também aqui essas vozes em formas de textos que queremos pôr em partilha com todos os que se interessem pelo mundo da cultura.
Às vezes as formas podem não ser o mais relevante; os conteúdos sim.
 

22 junho 2005

Olhar a Dança: À conversa com Lisa Nelson

Texto de : Raquel Dionísio

Ensina dança há mais de três décadas, mas nem por isso se considera uma pedagoga. Tinha então 19 anos, continuando hoje a afirmar que, sobretudo, adora aprender. Chama-se Lisa Nelson, começou, no início dos anos 70, a “escrever” história na dança. Foi a convidada da edição de Março dos debates informais “100 horas de conversa”, no C.E.M., Centro em Movimento, aquando da sua estadia em Lisboa como parte da equipa de formação do Curso de Coreografia da Fundação Calouste Gulbenkian, actualmente a decorrer. Nesta sua visita, Lisa Nelson ficou surpreendida por encontrar aqui um público de dança bastante heterogéneo, algo que considera raro e enriquecedor. Para esta criadora e investigadora, a “presença” no corpo é essencial: «em dança, a questão está em aceitar activamente o que se está a fazer e deixar que isso se torne físico, sem necessidade de lhe acrescentar qualquer outra coisa. Muitas vezes, o performer consegue essa espécie de transparência..»

«Os olhos não costumam ser usados no sentido de percepcionar significados a partir da luz, mas é assim que os usamos quando dançamos». Há uma constante composição da visão, do olhar, em resposta a um ambiente muito complexo, já que, estando o corpo em movimento, também o está aquilo que o rodeia.

Investigadora apaixonada do movimento, foi, sem dúvida, um dos motores desta arte tal como ela existe actualmente. No seu percurso, têm particular importância as inúmeras colaborações que ao longo do tempo desenvolveu com Steve Paxton. É também, desde 1977, co-editora da revista Contact Quarterly – a vehicle for moving ideas, publicação semestral sem par dedicada a conteúdos de dança, improvisação, performance e artes do movimento contemporâneo.
Na sua visita a Lisboa em Março, Lisa Nelson ficou surpreendida e satisfeita por encontrar aqui um público de dança bastante heterogéneo, algo que considera raro. «Cria-se uma condição muito especial para fazer performance» quando pessoas das mais diversas áreas, desde a música às artes plásticas, às terapias, ao mundo audiovisual, se interessam por aquilo que vai surgindo numa forma de arte, que, hoje em dia, combina cada vez mais vez todas as outras. «Nos Estados Unidos, o público da dança é muito limitado: são sobretudo bailarinos ou músicos à procura de um emprego como compositores para dança».
Fazedora de danças desde criança, performer de improvisação e artista inúmeras vezes solicitada, Lisa tem mantido na sua vida uma atenção permanente à «presença» no corpo e no movimento. «Quando um performer está presente, fico realmente feliz!», exclama. «Não importa o que ele esteja a fazer, qual seja o idioma. Quando isso acontece, fico mesmo grata… Claro que não é tudo, também tem a ver com o estar a olhar para o espaço ou para os indivíduos. Se o espaço não é interessante ou não me apela, vou à procura de outra coisa, como todos fazemos... Mas se encontro um performer que é interessante, fico muito contente».
É nos laboratórios de pesquisa de movimento que, na sua opinião, se vêem as melhores performances, pois neles sobressai realmente o potencial daquilo que o ser humano pode ser e comunicar. «A investigação é tão excitante, mesmo que raramente vista à luz do dia», refere. O que terá a ver com a «transparência» da pessoa que está realmente presente. «Aquilo que é engraçado na dança é que o corpo é o meio, o instrumento de uma forma de arte. O corpo torna-se o veículo para que algo passe através dele – e é isso o mais difícil… Penso que isso acontece interiormente quando a atenção do performer “está” profundamente no corpo. O corpo fica realmente ligado à acção que desempenha, qualquer que seja… em dança, a questão está em aceitar activamente o que se está a fazer e deixar que isso se torne físico, sem necessidade de lhe acrescentar qualquer outra coisa. Muitas vezes, o performer consegue essa espécie de transparência», continua.
Lisa Nelson dedica-se intensamente desde os anos 70 à exploração do papel dos sentidos na observação do movimento e na performance. De momento, está a explorar e a desenvolver uma partitura (score) de comunicação não apenas para pessoas da dança, mas de várias disciplinas: «Olhamos para quê, quando vemos algo em dança?» Segundo Lisa, essa partitura é «uma maneira de criar sistemas de feedback, onde podemos mostrar e debater entre nós o que estamos a ver quando olhamos para outro ser humano que nos comunica algo através do movimento».
No Ocidente, a dança chega-nos, na sua tradição, como uma arte essencialmente visual, porque tendemos a experiênciá-la olhando para ela. «Mas, na sua história, é claro que a dança era participativa, não se tratava de olhar para uma pessoa a dançar», explica. «Tem surgido muitas vezes esta questão sobre a peculiaridade de fazer do corpo uma forma de arte. O corpo oferece uma imagem às pessoas, que se traduz e ganha sentido ao ser vista, percepcionada». Daí a proeminência dos olhos e da composição do olhar na sua pesquisa. «Os olhos não costumam ser usados no sentido de percepcionar significados a partir da luz, mas é assim que os usamos quando dançamos». Há uma constante composição da visão, do olhar, em resposta a um ambiente muito complexo, já que, estando o corpo em movimento, também o está aquilo que o rodeia. Para Lisa, esta composição não é algo de exterior, trata-se sim da maneira como o corpo se predispõe a dar ou receber, ouvir ou comunicar. É uma composição de atenção no corpo e uma composição da matéria, do próprio corpo físico. Deste modo, o «ver» toma um significado diferente daquele que usualmente lhe atribuímos, inclui também um «ver» menos dirigido, mais desfocado, levado pela forma, pela cor, pelas mudanças de luz.
Nos anos que correm, a investigadora tem procurado «olhar para a comunicação, uma área em que simplesmente não vejo muito trabalho», prossegue. «Essa comunicação começa com um diálogo interno, um diálogo do corpo consigo próprio. E depois baseia-se muito na ideia de como lemos o outro». Nos seus laboratórios de movimento, Lisa não procura portanto «melhorar» o corpo, mas apenas envolver-se neste diálogo com quem quiser comunicar. «Quando trabalho com pessoas de disciplinas diferentes, é maravilhoso», conclui.
Aos alunos que frequentam estes laboratórios, Lisa procura passar «algumas coisas muito simples sobre o corpo em movimento num ambiente: como ele reage, age sobre e recebe a acção desse ambiente». Assumindo à partida que todos têm um «instrumento expressivo», Lisa quer permitir às pessoas que se conheçam a si próprias. As práticas realizadas são muito específicas – «pele, osso, músculo, atenção...» – não requerendo um conhecimento especializado. «Deste modo, torna-se possível trabalhar com pessoas com corpos muito diferentes».

Titulo provisório on line

porque, apesar de tudo, vale a pena

Antes do título, há sempre uma ideia (maior que o título, espera-se) que dá corpo e razão a todo o processo de materialização de algo (ou em algo).
No caso patente, quisemos, debaixo da designação «Título Provisório», lançar uma edição que ajudasse a divulgar as artes do espectáculo feitas em Portugal, que servisse para colmatar algumas lacunas que todos— quer os que estão do lado do palco, quer os que estão entre as plateias (os públicos, que como sabemos somos nós todos)— sentimos. A necessidade de poder ler, aprender um pouco mais, conhecer melhor as formas de fazer e pensar o teatro e a dança, os criadores e os seus métodos, os seus propósitos e objectos. A vontade de encontrar reunidas nas páginas que pensamos um cartaz o mais abrangente possível, de todo o país, para sentirmos verdadeiramente o pulsar de uma área que nem sempre encontra o espaço que merece em termos de comunicação e que, por isso mesmo, sofre o desgaste de um menor reconhecimento, especialmente no que toca às zonas mais experimentais e alternativas— exactamente aquelas que marcam o tempo que é nosso e podem alterar o que virá a ser futuro.
Conseguimos concretizar o primeiro número em papel, dando margem ao nascimento de algo. Mas as contingências do período que enfrentamos não permitiram seguir logo em frente, ganhando a velocidade que gostaríamos. Não vamos entrar no mundo das queixas— para quê? Todos conhecemos o que se passa. Decidimos, porém, que não podíamos deixar cair os bruços inertes. As ideias são mais importantes, os espectáculos vão, apesar de tantas dificuldades, ganhando os palcos.
Por isso, aqui está, on line, em princípio até Setembro, o TP nº2.
Agradecemos desde já todas as vozes que nos deixaram uma palavra de parabéns pelo anterior número, todas as ofertas de colaboração que surgiram. São bem vindas também aqui essas vozes em formas de textos que queremos pôr em partilha com todos os que se interessem pelo mundo da cultura.
Às vezes as formas podem não ser o mais relevante; os conteúdos sim.
 

Teatro do Bolhão: Uma nova vida para um edifício cheio de história

texto de Carolina Medeiros

Depois de mais de dez anos de um processo «de promessas e intenções», a reabilitação do Palácio do Conde do Bolhão parece que, finalmente, vai passar a ser uma realidade. O arranque da recuperação do edifício (propriedade da Câmara Municipal do Porto) permitirá até ao final de 2005 a criação do Teatro do Bolhão, um centro artístico, pedagógico e cultural que acolherá a companhia com o mesmo nome e a Academia Contemporânea do Espectáculo (ACE), complexo dinâmico que envolve um auditório, um centro de recursos e um café-concerto. Desfecho para um projecto pelo qual passaram quatro ministros da Cultura, três ministros da Educação, três presidentes da CMP e o próprio Presidente da República que, em Março de 1999, assinalou no Palácio o Dia Mundial do Teatro.

Estava prometido há muito, mas só agora se vislumbra o início da construção do Teatro do Bolhão, que vai albergar a Academia Contemporânea do Espectáculo e a companhia que nasceu entretanto, com o nome do famoso palácio. Este é o desfecho, muito esperado, de um processo longo e de profunda renovação do meio teatral do Porto, iniciado em 1990 quando um grupo de profissionais fundou, com o apoio da Câmara Municipal do Porto (CMP), do Governo Civil, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Eng. António de Almeida, a ACE. Foi neste contexto de formação -- lembre-se que, na altura, a formação de profissionais em Portugal estava limitada a Lisboa e a Évora --, que se constituíram na cidade grupos como "As Boas Raparigas…", o "Teatro Bruto", o "Teatro Plástico", a "Companhia do Saco" ou o "Teatro Só", entre outras.
A escola começou por estar dispersa em diversos sítios do Porto e só passados três anos desde a sua fundação, a CMP cedeu um terreno no Lagarteiro para a instalação de uma sede de raiz. Tendo em vista a construção do novo edifício, a ACE candidatou-se a apoios comunitários e conseguiu cerca 275 mil contos, atribuídos pelo PRODEP – Programa de Desenvolvimento Educativo para Portugal, através do Ministério da Educação, relembra Pedro Aparício, da direcção da ACE.
A execução da obra foi, no entanto, inviabilizada pela impossibilidade de realojar em tempo útil as cerca de 50 famílias que ali habitavam num bairro degradado; já em 1998, a ACE seria informada que o apoio comunitário tinha caducado. Por isso, sem terreno e sem apoio financeiro para a obra, teve que ser procurada uma solução alternativa, a que se juntou o executivo portuense. A CMP cedia para o efeito o Palácio do Conde de Bolhão (adquirido pelo município em 2001) que, por todos os motivos (localização, história…) seria o espaço indicado para acolher uma escola e um teatro.
Enquanto isso, a Academia instalou-se, em 2000, no edifício do antigo Colégio Garrett, na Praça Coronel Pacheco. "Desde o início, tinha sido pensada a coexistência da escola e de uma companhia de teatro. Com a transferência para as actuais instalações da ACE no Colégio Garrett foi possível testar aquilo que pretendemos que se passe no Palácio do Conde do Bolhão: o funcionamento simultâneo das duas estruturas", referiu Pedro Aparício.
De facto, em 2003, tinha sido formalizada, por um grupo de onze profissionais da ACE, a criação de uma companhia ligada à Academia – o Teatro do Bolhão. Apoiada com carácter bianual pelo Instituto das Artes (IA), esta estrutura tem direcção artística de António Capelo, João Paulo Costa, Joana Providência e Pedro Aparício, promovendo um modelo de produção artística onde se incluem autores da dramaturgia universal e espectáculos transdisciplinares.

Juntando
o útil
ao agradável…

Com projecto do arquitecto José Gigante em co-autoria com João Gomes e Vítor Silva, a primeira fase da obra está orçamentada em 750 mil euros e prevê-se concluída em Outubro de 2005, sendo financiada em 50% pelo Ministério da Educação através do PRODEP, em 40% pela CMP e em 10% pela ACE, através do apoio da Fundação Eng. António de Almeida. Está ainda prevista uma 2ª fase, altura em que serão construídos o Auditório e os outros anexos, na qual a ACE pretende envolver o Ministério da Cultura. Para já, a ACE assinou um protocolo de cedência de espaço com a CMP, válido para os próximos 50 anos.
Definidos os passos do projecto, acabou por verificar-se um impasse na sua concretização e o «sucessivo adiamento» da obra. Situação que só há pouco seria resolvida, levando à apresentação público do arranque da primeira fase da recuperação do edifício prometido.
De facto, quando há 6 meses, o actual Vereador da Cultura da CMP, António Sousa Lemos, tomou posse, foi informado da situação de «impasse» relativamente ao Teatro do Bolhão. A concretização do projecto constituiu uma oportunidade para a CMP aliar os interesses da cultura aos da revitalização da baixa portuense, uma das bandeiras do actual executivo camarário. Assim, foi possível criar as condições financeiras necessárias para a concretização do projecto, tendo já sido orçamentada para o próximo ano a verba necessária para a comparticipação da CMP no processo de remodelação do espaço.
"O Dr. Rui Rio percebeu rapidamente que devia apoiar e porquê a recuperação do Palácio do Bolhão. Mais do que a instalação do Teatro do Bolhão, do ponto de vista camarário está aqui em causa a recuperação de um edifício com valor patrimonial na baixa portuense, um projecto quase emblemático de tudo o que a CMP pretende para a Baixa", salienta Pedro Aparício.
Para o Vereador da Cultura, por seu lado, está-se a fazer um investimento para o futuro: para além da reabilitação de «um espaço para actuações de teatro ou outros tipos de apresentações, está-se a fazer uma aposta nos mais jovens e a criar condições para que, a médio e longo prazo, se mantenha toda uma actividade cultural, com a emergência de novos artistas na cidade do Porto».
Note-se que, apesar da estar assim consagrada a criação de um novo espaço cultural no centro do Porto, onde se pretende criar uma relação mais estreita entre formação e produção, para o director da ACE será difícil a articulação do novo auditório com outras companhias de teatro do Porto: «a escola tem em média seis exercícios por ano apresentados no Auditório e a companhia três produções, que totalizam nove apresentações. Isto significa que o Auditório estará em permanente ocupação»… impossibilitando a abertura de espaços temporais para o acolhimento de outras apresentações. «Mas sempre que for possível e se o calendário o permitir, a articulação com outros grupos é desejável», diz Pedro Aparício.

Casa
prometida
mas…

Na altura em que se consegue resolver o problema antigo da instalação da ACE, a companhia entra é, agora, numa fase de incertezas quanto ao futuro. Surgida em 2003, o primeiro subsídio estatal do Teatro do Bolhão rondou os 35 mil euros, o valor mais alto atribuído no concurso desse ano, seguindo-se em 2004 a renovação desse montante. "O ano passado todas as estruturas concorreram juntas pela primeira vez e deparamo-nos com este concurso absurdo onde a Região Norte é a região menos financiada do país. Protestamos individualmente e em conjunto com a Plateia sem consequências visíveis. Entretanto saíram os resultados que atribuíram à companhia o mesmo valor (35 mil euros) anterior. Este júri mostrou-se completamente indiferente ao que se fez ou produziu", salienta Pedro Aparício. Em termos de produção e programação, a companhia prevê a apresentação regular de clássicos, considerados pelo director da ACE um património cultural que desapareceu do Porto, à excepção de algumas produções do Teatro Nacional de S. João. A última produção, "D.Juan ou o Festim da Pedra", de Moliére, absorveu integralmente o subsídio previsto para 2005… Portanto, o ano afigura-se difícil! Para Pedro Aparício, "a alternativa seria produzir 3 monólogos e arranjar maneira de ajustar um programa a um financiamento precário e ridículo que o Instituto das Artes insiste em atribuir à companhia. Como não queremos ser mais uma companhia a fazer monólogos de mesa e pano preto, coloca-se em risco o futuro e a continuação da companhia".



O Palácio do Conde do Bolhão
Imóvel classificado pelo IPPAR, o Palácio do Conde do Bolhão é considerado um dos edifícios mais notáveis da arquitectura civil portuense novecentista. Mandado construir em 1844 por António de Sousa Guimarães, na altura um dos mais influentes comerciantes do país, o Palácio expressa o vigor político e financeiro da burguesia portuense do século XIX.
No entanto, o Palácio deve a sua reputação à faustosa vida social que o Conde do Bolhão promovia e que o escritor Camilo Castelo Branco, seu protegido, descreveu detalhadamente. O Conde do Bolhão albergou por duas vezes a Família Real no Palácio e as suas sumptuosas festas com 800 convidados caracterizavam a vida social da cidade. À boa maneira Camiliana, a história do Palácio está envolta em escândalos, infidelidades, traições e duelos onde o escritor surge como um dos mais notórios protagonistas.
Arruinado, o conde acabaria por vender o Palácio que, no início do século XX, foi convertido em sede da Litografia do Bolhão. Para instalar as suas oficinas, a Litografia (que funcionou até 1990) construiu um anexo de dimensões consideráveis acoplado à fachada traseira do Palácio, cobrindo o antigo jardim da casa. É aqui, neste terreno, que será construído o Auditório.



As prioridades de António Sousa Lemos, vereador da Cultura da CMP
Estabilizar, reposicionar, divulgar

António Sousa Lemos, Vereador da Câmara Municipal do Porto (CMP), conseguiu em 6 meses, tempo em que está à frente da tutela do Pelouro da Cultura, desbloquear a verba necessária para a reconstrução do Palácio do Conde do Bolhão e dar um ponto final no impasse das instalações para a ACE. Aliando este projecto a uma das bandeiras do actual executivo camarário -- a revitalização da baixa portuense --, e a escassos meses das eleições autárquicas, o autarca explicou à TP como foi resolvida a questão do Teatro do Bolhão, como pretende aliar o Turismo à Cultura, como vai funcionar a rede de teatros actualmente em desenvolvimento no Porto e como pretende fazer uma maior aposta na divulgação das actividades culturais da cidade.

Título Provisório – Depois de tantos anos de impasse sobre as novas instalações da ACE, depois da CMP ter adquirido o Palácio do Conde do Bolhão em 2001, porquê a decisão de apoiar a reconstrução do edifício agora?

António Sousa Lemos – A questão relativa ao Teatro do Bolhão resultou de um processo algo atribulado. Enfim, ao longo destes anos não tinha passado de intenções, e nunca se concretizou. Estou no Pelouro há cerca de 6 meses e quando fui informado da situação, achei que encaixava perfeitamente nos interesses quer da cultura quer da revitalização da baixa portuense. Ou seja, nós temos aqui não só uma vertente cultural mas também uma valência recíproca, que é a revitalização da baixa. É interessante revitalizar esta área da cidade para termos vida nos espaços relacionados com a cultura, tal como é interessante revitalizar espaços culturais para termos também gente na baixa. Ou seja, são interesses comuns e complementares. Daí que tenha contactado com as diversas pessoas que estavam associadas a este projecto e consegui criar as condições, nomeadamente do ponto de vista financeiro, indispensáveis para conseguir finalmente levar a bom porto este projecto. Foi orçamentado para este ano, e já para o próximo, a verba para a comparticipação da Câmara Municipal do Porto nas obras necessárias para remodelar o espaço.

TP – Este projecto foi considerado para o Pelouro da Cultura uma prioridade política?

ASL – Não direi uma prioridade, mas antes um plano em que valia a pena participar. Até ao momento só tenho notado de todas as pessoas, quer das que estão ligadas à ideia, quer das que se têm apercebido dela pelos meios de comunicação social, que vale a pena investir no projecto, até pela excelente localização do espaço. Estamos perante um edifício que tem história, com imponência, que merece ser recuperado. Ao mesmo tempo, no âmbito daquilo que eu entendo que deve ser uma política cultural no Porto, um dos aspectos verdadeiramente importantes neste projecto é estarmos a falar de uma escola, ou seja, estamos a pensar a médio e longo prazo, fazendo um investimento para o futuro. Muito mais do que reabilitar um espaço, está-se a fazer uma aposta nos mais jovens e a criar condições para que, a médio e longo prazo, se mantenha toda uma actividade cultural, com a emergência de novos artistas na cidade. Tudo o que seja investir a médio e longo prazo é extremamente importante.

TP – O Porto tem uma série de espaços culturais na baixa, nomeadamente o Teatro Nacional São João, o Rivoli, o TECA… Como pensa que poderá ser feita a articulação entre o Teatro do Bolhão e estes outros espaços culturais?

ASL – Temos aqui uma componente um pouco diferente (por estar envolvida uma Academia), virada para o ensino. No entanto, o Teatro do Bolhão pode, a médio prazo, ser também um espaço que integre a rede de acolhimento (de companhias) que estamos a criar, na CMP. Já temos alguns teatros a participar neste projecto; a nossa ideia é que no futuro a rede cresça. Temos que rentabilizar os espaços, quer o Teatro do Bolhão, quer outros que possam vir a funcionar como espaços de acolhimento daqueles pequenos grupos, nomeadamente formados por jovens acabados de sair das nossas escolas, sem possibilidades de terem os seus espaços próprios. Os equipamentos que já temos têm que ter essa função, a de receber os grupos mais recentes, as novas criações e, de alguma maneira, garantir a médio prazo uma continuidade de artistas e grupos na cidade. Nesse sentido, por exemplo, o Rivoli tem já levado a cabo essa prática de acolhimento de grupos que não têm espaços de apresentação próprios. Penso que, em termos de articulação, o Teatro do Bolhão será certamente a médio prazo mais um pólo a fazer parte dessa rede.

TP – Neste momento quais são os teatros a funcionarem no contexto dessa rede de acolhimento?

ASL – O Teatro da Vilarinha tem um protocolo com o Pelouro da Cultura da CMP neste âmbito, o Rivoli também, enquanto Teatro Municipal. Estamos em vias de, a médio prazo, vir a ter mais espaços com essas condições. A ideia é criar uma rede com 5 ou 6 estruturas e garantir desta forma que todos os grupos do Porto têm oportunidade de fazerem as suas actuações e até de poderem realizar os seus ensaios, outro aspecto muito importante.

TP – Mas para além disso, como estão a ser conduzidos os apoios ao teatro no Porto?

ASL – Neste momento, tem sido algo polémica a forma como foram atribuídos os subsídios pelo Instituto das Artes. Estamos a atravessar um novo ciclo político, com o novo governo, provavelmente iremos ter uma política diferente na área da cultura. Estou certo que é preciso repensar toda a forma de atribuição de apoios, não só a nível do Porto, como a nível nacional. É sabido que o Norte não tem recebido grandes apoios, grande parte dos meios financeiros do orçamento de Estado ficam em Lisboa, e a cultura não é excepção. Uma das prioridades da nova Ministra deveria ser repensar a atribuição de subsídios, lançando um modelo mais equilibrado e que contribua também para a descentralização da cultura. Não podemos ter uma actividade artística em Lisboa muito assente em apoios financeiros públicos e depois, pelo resto do país, os chamados "parentes pobre" que ficam apenas com os restos. Temos exemplos aqui no Porto, não só no teatro como em outras áreas, de excelentes grupos e festivais; uma actividade com dinâmica própria e que, neste momento, goza de grande qualidade e notoriedade. Que faz sentido apoiar. Podemos pensar no caso da Seiva Trupe, no FITEI, no Fantasporto – daí que o grande Porto tenha todas as condições para exercer um grande peso reivindicativo sobre Lisboa.
Não sabemos como vai ser o próximo executivo (municipal), nem que políticas culturais serão seguidas, mas, na minha opinião pessoal, penso que para termos estabilidade é importante que os grupos, quer de teatro quer de outras áreas artísticas, possam ter protocolos a médio prazo, o que lhes daria durante 2 a 3 anos estabilidade para desenvolverem os seus projectos. Considero de extrema importância a aposta na estabilidade. A postura da CMP deve ser proporcionar segurança às estruturas culturais. Por outro lado, temos que ter consciência que, seja com este executivo seja com outro, a Câmara nunca vai ter a capacidade financeira do Ministério da Cultura. Terá, no entanto, que manter sempre o seu papel, principalmente no apoio a nível de equipamentos, criando as condições para que os projectos aconteçam e, por outro lado, fazer um investimento na divulgação daquilo que existe a nível cultural. Neste ponto, a CMP pode dar um bom contributo, mesmo que não financeiro, complementando a divulgação dos próprios grupos e projectos. Esta é, aliás, uma das grandes carências a nível cultural. Neste momento, no Grande Porto, a oferta cultural é extensa, é preciso conseguir atrair públicos. Atrair pessoas do Porto, da área metropolitana, do Norte e mesmo da Galiza.

Titulo provisório on line

porque, apesar de tudo, vale a pena

Antes do título, há sempre uma ideia (maior que o título, espera-se) que dá corpo e razão a todo o processo de materialização de algo (ou em algo).
No caso patente, quisemos, debaixo da designação «Título Provisório», lançar uma edição que ajudasse a divulgar as artes do espectáculo feitas em Portugal, que servisse para colmatar algumas lacunas que todos— quer os que estão do lado do palco, quer os que estão entre as plateias (os públicos, que como sabemos somos nós todos)— sentimos. A necessidade de poder ler, aprender um pouco mais, conhecer melhor as formas de fazer e pensar o teatro e a dança, os criadores e os seus métodos, os seus propósitos e objectos. A vontade de encontrar reunidas nas páginas que pensamos um cartaz o mais abrangente possível, de todo o país, para sentirmos verdadeiramente o pulsar de uma área que nem sempre encontra o espaço que merece em termos de comunicação e que, por isso mesmo, sofre o desgaste de um menor reconhecimento, especialmente no que toca às zonas mais experimentais e alternativas— exactamente aquelas que marcam o tempo que é nosso e podem alterar o que virá a ser futuro.
Conseguimos concretizar o primeiro número em papel, dando margem ao nascimento de algo. Mas as contingências do período que enfrentamos não permitiram seguir logo em frente, ganhando a velocidade que gostaríamos. Não vamos entrar no mundo das queixas— para quê? Todos conhecemos o que se passa. Decidimos, porém, que não podíamos deixar cair os bruços inertes. As ideias são mais importantes, os espectáculos vão, apesar de tantas dificuldades, ganhando os palcos.
Por isso, aqui está, on line, em princípio até Setembro, o TP nº2.
Agradecemos desde já todas as vozes que nos deixaram uma palavra de parabéns pelo anterior número, todas as ofertas de colaboração que surgiram. São bem vindas também aqui essas vozes em formas de textos que queremos pôr em partilha com todos os que se interessem pelo mundo da cultura.
Às vezes as formas podem não ser o mais relevante; os conteúdos sim.
 

19 junho 2005

..

Titulo provisório on line

porque, apesar de tudo, vale a pena

Antes do título, há sempre uma ideia (maior que o título, espera-se) que dá corpo e razão a todo o processo de materialização de algo (ou em algo).
No caso patente, quisemos, debaixo da designação «Título Provisório», lançar uma edição que ajudasse a divulgar as artes do espectáculo feitas em Portugal, que servisse para colmatar algumas lacunas que todos— quer os que estão do lado do palco, quer os que estão entre as plateias (os públicos, que como sabemos somos nós todos)— sentimos. A necessidade de poder ler, aprender um pouco mais, conhecer melhor as formas de fazer e pensar o teatro e a dança, os criadores e os seus métodos, os seus propósitos e objectos. A vontade de encontrar reunidas nas páginas que pensamos um cartaz o mais abrangente possível, de todo o país, para sentirmos verdadeiramente o pulsar de uma área que nem sempre encontra o espaço que merece em termos de comunicação e que, por isso mesmo, sofre o desgaste de um menor reconhecimento, especialmente no que toca às zonas mais experimentais e alternativas— exactamente aquelas que marcam o tempo que é nosso e podem alterar o que virá a ser futuro.
Conseguimos concretizar o primeiro número em papel, dando margem ao nascimento de algo. Mas as contingências do período que enfrentamos não permitiram seguir logo em frente, ganhando a velocidade que gostaríamos. Não vamos entrar no mundo das queixas— para quê? Todos conhecemos o que se passa. Decidimos, porém, que não podíamos deixar cair os bruços inertes. As ideias são mais importantes, os espectáculos vão, apesar de tantas dificuldades, ganhando os palcos.
Por isso, aqui está, on line, em princípio até Setembro, o TP nº2.
Agradecemos desde já todas as vozes que nos deixaram uma palavra de parabéns pelo anterior número, todas as ofertas de colaboração que surgiram. São bem vindas também aqui essas vozes em formas de textos que queremos pôr em partilha com todos os que se interessem pelo mundo da cultura.
Às vezes as formas podem não ser o mais relevante; os conteúdos sim.
 

01 junho 2005

festivais de Junho - agenda

Teatro

28º Fitei

Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica

Porto

De 31 de Maio a 12 de Junho


«O teatro de expressão ibérica reúne-se novamente no Porto, espalhando por várias salas de espectáculos (TNSJ, TECA, Rivoli, THSC…) propostas cénicas que abrem um leque de enorme diversidade. Na sua 28ª edição, o FITEI quer ainda sair à rua, oferecendo à cidade uma mão cheia de imagens, lançamentos de livros, exposições. Neste programa paralelo, destaque para a estreia portuense de um filme sobre Glicínia Quartin, de Jorge Silva Melo, e para a homenagem a Sofia de Mello Breyner, uma das escritoras maiores da lusofonia.»


Espectáculo de abertura:

Berenice

De Racine

Tradução de Vasco Graça Moura

Produção: Teatro D. Maria II

Encenação: Carlos Pimenta

Cenário: João Mendes Ribeiro

Figurinos: António Lagarto

Música: Mário Laginha

Desenho de Luz: Daniel Worm D'Assumpção

Voz e Elocução: Luís Madureira

Vídeo: Alexandre Azinheira

Com: Beatriz Batarda, João Grosso, José Airosa, Teresa Sobral, José Neves e Miguel Loureiro

Teatro Nacional São João, Porto

De 2 a 12 de Junho


«Berenice… esta majestosa tristeza!

O conflito entre o dever e a paixão, o amor sacrificado à razão de Estado: de que forma estas situações tocam os nossos espíritos contemporâneos?

O que Berenice nos dá, fundamentalmente, é a eterna história de um amor infeliz, da separação dos amantes, do destino insensível, de um sacrifício sublime, no qual a grandeza não serve de consolo àqueles que o aceitam.

A história de Tito e Berenice é também um pouco a de Dido e Eneias, de Tristão e Isolda, de Rodrigo e Chimena.

O espectador contemporâneo não pode deixar de admirar o 'exercício' realizado por Racine: a simplicidade da acção, que vai quase até ao despojamento e que faz de Berenice uma verdadeira 'tragédia sobre quase nada…' Mas não é esta mesma sobriedade que permite escutar de uma forma subliminal todo o canto do amor e do desespero?

Uma acção simples, sustentada na grandeza dos sentimentos, na elegância da expressão, na violência das paixões, na espera da palavra, faz com que esta obra se apresente como uma inquietação surda, uma tragédia de portas fechadas na qual correm lágrimas e não sangue e em que o verso de Racine nos surge – na bela definição de Grüber – como um sopro sobre uma ferida.»



Vários

Serralves em Festa

Porto

4 e 5 de Junho


«Realiza-se a II edição do Serralves em Festa. Depois do sucesso da primeira edição, em Junho de 2004. Este ano o 'Serralves em Festa' pretende afirmar-se como uma das mais importantes manifestações culturais de arte contemporânea em Portugal. No parque, Museu e Casa de Serralves, vão viver-se mais de quarenta horas seguidas de música, teatro, dança, cinema e outras actividades, pensadas para todos os públicos e de entrada gratuita.» Com Jérôme Bel, Bruno Beltrão, Mathilde Monnier e Circolando



Teatro

Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas

Extensão a Viseu

Teatro Viriato, Viseu

Dias 4, 5, 7 e 10 de Junho


O Festival organizado pela Tarumba – Teatro de Marionetas, em Lisboa, envolve diversos agentes culturais. Este ano, na 5ª edição, o festival apresenta-se também fora da capital. Uma das cidades é Viseu.


Programa:

Organillo

Stephen Mottram's Animata (Reino Unido)

Dias 4 e 5 de Junho


«Mottram conseguiu uma interessante fusão entre marionetas, autómatos, música e arte visual. Ao misturar tudo introduz o espectador na sua guarita, nas sensuais águas da procriação.»


Bernards Puppet Bonanza

Pickled Image (Reino Unido)

No Rossio e Rua Formosa

Dia 7 de Junho


«O espectáculo começa quando Bernard abre a barraca de marionetas para a sua apresentação. Prepara-se e começa por introduzir o elenco de marionetas de luva, tentando apresentar a clássica história infantil do Capuchinho Vermelho.»


Pig

Whalley Range Allstars (Reino Unido)

Parque da Cidade

Dia 10 de Junho


«Uma porca com 10 metros de comprimento dorme, deitada no chão, no meio de uma pequena pocilga.

Podemos ouvi-la ressonar e vê-la fungar.

A criatura adormecida é vigiada por um agricultor.

A porca está deitada de lado e no lugar das suas tetas estão 10 buracos. O público é convidado a colocar as suas cabeças nestes buracos.»



Dança

Festival da Fábrica

Balleteatro Auditório e Teatro Helena Sá e Costa, Porto

De 1 a 11 de Junho


«Projecto Curtas mix: Apresenta os coreógrafos, performers, e outros artistas, com particular atenção aos criadores da Região Norte; que trabalham o movimento de uma forma própria e em conformidade com a sua percepção do corpo e do movimento. O programa apresenta: Teresa Prima, António Júlio, Susana Queirós e João Costa.»



Dança

Festival Internacional de Dança Contemporânea – Mês da Dança

VI edição

Évora/Beja/Campo Maior

De 7 a 18 de Junho


«Após um ano de pausa, a nova edição do festival desenvolve uma plataforma de intercâmbio cultural entre criador e público, permitindo um encontro pluridisciplinar ampliando as possibilidades de miscigenação das artes. A necessidade urgente na criação de relações e espaços de investigação, motivou a CDCE, em 1998, a implementar na região Alentejo, um festival internacional de dança contemporânea direccionada para a divulgação do trabalho de autor. O Mês da Dança, proporciona ao público um contacto diversificado, com experiências criativas em áreas disciplinares como a dança, o teatro, o vídeo, e a performance. O presente programa do festival afirma os seus objectivos iniciais: informar e difundir.»



Teatro

Festivais Gil Vicente

Organização: Oficina, Câmara Municipal de Guimarães e Círculo de Arte e Recreio

Auditório da Universidade do Minho e Espaço Oficina, Guimarães

De 8 a 18 de Junho


Programa:

As regras da arte de bem viver na sociedade moderna

Artistas Unidos

Dia 8 de Junho


Mãe Preta

Este – Estação Teatral da Beira Interior

9 de Junho


Amanhã

Teatro O Bando

11 de Junho


Zé do Telhado

Jangada Teatro

16 de Junho


Uma História a Penas

Trigo Limpo Teatro Acert

17 de Junho


Pela Boca Morre o Peixe

Trigo Limpo Teatro Acert

18 de Junho



Dança

40º Festival de Sintra

Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra

De 10 de Junho a 30 de Julho


Programa:

Ballet du Grand Théâtre de Genève (Suiça)

Para-Dice com coreografia de Saburo Teshigawara, Selon Désir de Andonis Foniadakis e Loin de Sidi Larbi Cherkaoui

Dias 10 e 11 de Junho


Compagnie Linga (Suiça)

Un train peut toujours en cacher un autre

Coreografia Katarzyna Gdaniec/Marco Cantalupo

Dias 17 e 18 de Junho


Companhia Nacional de Danza (Espanha)

Arcangelo de Nacho Duato, Por vos muero de Nacho Duato, Diecisiete de Nacho Duato

Dias 8 e 9 de Julho


Scottish Dance Theatre (Escócia)

Nova criação, estreia mundial em Sintra; Track de Didy Veldman

Dias 15 e 16 de Julho


Cía Dancem Ester Carrasco (Espanha)

Deshechos Reales, Balladona, El Tendedero e Sentido Único de Ester Carrasco

Dias 22 e 23 de Julho


Compagnia Aterballetto (Itália)

Wam e Rossini Cards de Mauro Bigonzetti

Dias 29 e 30 de Julho



Dança

Dancem!05

TNSJ, Porto

De 21 de Junho a 7 de Julho


Programa:

Sorry, Do the Tour!

Coreografia: Marco Berrettini

Produção: Melk Prod.

Dias 21 e 22 de Junho


Trio

de Tiago Guedes

Intérpretes: Inês Jacques, Martim Pedroso, Tiago Guedes

Dias 30 de Junho e 1 de Julho


«Utilizando materiais simples e básicos, Tiago Guedes consegue inscrever os corpos no espaço poético de ambientes incrivelmente abertos e mutantes: topografias constantemente renovadas, no interior das quais andamentos e travessias, manipulações e conjuntos de objectos, conseguem estruturar o tempo dado em representação. As acções como as coisas parecem muitas vezes estar lá para permanecer em suspenso, esperar que um terceiro acontecimento se lhes venha conjugar, e revelar enfim a sua razão de ser. Lúdicas, as proposições do coreógrafo nunca são casuais: captam delicadamente a atenção e conseguem sempre produzir o seu enunciado, demonstrando assim que basta deixar o tempo agir para se deixar envolver no jogo.» David Bernadas


Corpo de Baile

De Miguel Pereira

Tradução dramatúrgica: Rui Catalão

Dias 6 e 7 de Julho


«Comecei por uma visão geral de ilusão óptica e aos poucos fui entrando em zoom e observando os detalhes. A imagem que eu tinha dos corpos na altura, corpos perfeitos, magros, elegantes, graciosos, começou a transformar-se e comecei a notar, por entre eles, algumas assimetrias. Onde era suposto ver rigor, precisão, automatismo e leveza nos movimentos vi que, ao observar de perto, todos os corpos tinham as suas particularidades. Os mais gordos, os muito magros, aqueles que tinham imperfeições, os que não estavam no ritmo, os que tremiam, braços mais acima, pernas mais abaixo – com o zoom ia podendo observar cada vez mais detalhes – os corpos que oscilavam, que tremiam, que se desencontravam por instantes, que se mostravam inseguros, o esforço que faziam. Caras com uma expressão grave, com o pânico e o medo instalados, por instantes, ao mesmo tempo que alguns sorrisos se esboçavam. Não estavam todos certos como pareceram ilusoriamente no início, como máquinas(…)» Miguel Pereira

Titulo provisório on line

porque, apesar de tudo, vale a pena

Antes do título, há sempre uma ideia (maior que o título, espera-se) que dá corpo e razão a todo o processo de materialização de algo (ou em algo).
No caso patente, quisemos, debaixo da designação «Título Provisório», lançar uma edição que ajudasse a divulgar as artes do espectáculo feitas em Portugal, que servisse para colmatar algumas lacunas que todos— quer os que estão do lado do palco, quer os que estão entre as plateias (os públicos, que como sabemos somos nós todos)— sentimos. A necessidade de poder ler, aprender um pouco mais, conhecer melhor as formas de fazer e pensar o teatro e a dança, os criadores e os seus métodos, os seus propósitos e objectos. A vontade de encontrar reunidas nas páginas que pensamos um cartaz o mais abrangente possível, de todo o país, para sentirmos verdadeiramente o pulsar de uma área que nem sempre encontra o espaço que merece em termos de comunicação e que, por isso mesmo, sofre o desgaste de um menor reconhecimento, especialmente no que toca às zonas mais experimentais e alternativas— exactamente aquelas que marcam o tempo que é nosso e podem alterar o que virá a ser futuro.
Conseguimos concretizar o primeiro número em papel, dando margem ao nascimento de algo. Mas as contingências do período que enfrentamos não permitiram seguir logo em frente, ganhando a velocidade que gostaríamos. Não vamos entrar no mundo das queixas— para quê? Todos conhecemos o que se passa. Decidimos, porém, que não podíamos deixar cair os bruços inertes. As ideias são mais importantes, os espectáculos vão, apesar de tantas dificuldades, ganhando os palcos.
Por isso, aqui está, on line, em princípio até Setembro, o TP nº2.
Agradecemos desde já todas as vozes que nos deixaram uma palavra de parabéns pelo anterior número, todas as ofertas de colaboração que surgiram. São bem vindas também aqui essas vozes em formas de textos que queremos pôr em partilha com todos os que se interessem pelo mundo da cultura.
Às vezes as formas podem não ser o mais relevante; os conteúdos sim.
 

Junho - agenda

Dança

Subtone

Real Pelágio

De Sílvia Real e Sérgio Pelágio

Albufeira (Faro – Capital Nacional da Cultura)

Dias 1 e 2 de Junho


«'Subtone' é a sequela de 'Casio Tone', peça estreada em Frankfurt, em 1997, e que continua em digressão, tendo sido apresentada em mais de 10 países europeus.

'Subtone' é um solo, igualmente centrado na personagem de Sra. Domicilia, só que desta vez a acção decorre no seu local de trabalho: um lugar bastante estranho onde, se não fosse a luta diária travada contra um inimigo terrível e invisível chamado tédio, esta senhora não tinha mesmo nada que fazer…»


Teatro

O Contrabaixo

Texto de Patrick Süskind

Visões Úteis

Tradução: Anabela Mendes

Dramaturgia e direcção: Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Pedro Carreira

Direcção musical: João Martins

Interpretação: Pedro Carreira e músicos convidados

Triplex, Porto

De 1 de Junho a 13 de Julho, Quartas-feiras


«Um monólogo em episódios musicados sem sequência nem consequência. As desventuras de um homem e do seu contrabaixo. O instrumento mais importante da orquestra. O que parece uma velha gorda.»


Teatro

As regras da arte de bem viver na sociedade moderna

de Jean-Luc Lagarce

Artistas Unidos

Tradução: Alexandra Moreira da Silva

Com: Isabel Muñoz Cardoso

Cenografia: Rita Lopes Alves e João Calvário

Figurinos: Rita Lopes Alves

Luz: Pedro Domingos

Som: Emídio Buchinho

Encenação: Andreia Bento assistida por Pedro Carraça

Teatro Taborda, Lisboa

Até 5 de Junho


Teatro

Enquanto Eu e Tu tivermos lábios e voz

de Mónica Calle

Com: Mónica Calle

Casa Conveniente, Lisboa

até 12 de Junho


Dança/música

Vera Mantero canta os Americanos… com Nuno Vieira de Almeida

CAPA, Centro de Artes Performativas do Algarve

2 e 3 de Junho

Teatro Viriato, Viseu

Dia 17 de Junho


«São Carlos. 1995. Street Scene, Kurt Weill. Sensação de tédio.

Bons cantores com uma partitura que não é para eles.

Weill na América é musical e não ópera. De repente entra a Vera de mão dada com um rapaz. Mexe-se com naturalidade e desenvoltura (começo a parar o bocejo e a abrir os olhos) e canta.

Finalmente tudo bate certo.

A música… A voz… A afinação impecável… A musicalidade.

Oito anos depois vingo-me… E vingo-a a ela também (espero)!»


Circo

Circo Acrobático Nacional da China

Teatro Aveirense, Aveiro

Dia 3 de Junho


«O espectáculo combina duplos acrobatas com representações aéreas, dança com equilibristas ou magia. Tudo isto com cuidadas composições, desenho de palco, guarda-roupa, iluminação e banda sonora.»


Dança

Olívia

de Isabel Barros

Casa das Artes, Vila Nova de Famalicão

Dias 3, 4 e 5 de Junho

Mês da Dança, Évora

Dia 14 de Junho


«Espectáculo do Balleteatro Companhia, de dança e marionetas.»


Dança/música

Is that all there is? Then let's keep dancing!

Com Vera Mantero e Nuno Vieira de Almeida

CAPA, Centro de Artes Performativas do Algarve

Dia 4 de Junho

Teatro Viriato, Viseu

Dia 17 de Junho


«Quer sejam alemãs, brasileiras, francesas ou americanas, a esmagadora maioria das canções trata de amor. Do seu sucesso ou insucesso, da sua durabilidade ou efemeridade e da contrapartida de lealdade que podemos encontrar no parceiro(a). Vulgo fidelidade… (não deixa de ser ingénua a confusão de muitos letristas entre uma e outra coisa).

Algumas (menos) tratam também de sexo… e essas são mais antigas, aparecem antes desta globalização burguesa de sentimentos que hoje nos inunda. É sobre umas e outras que queremos falar… talvez com algum desencanto, talvez com alguma esperança. Is that all there is? Then let's keep dancing…» Vera Mantero e Nuno Vieira de Almeida.


Teatro

Os Portas

de John Godber

Encenação: Almeno Gonçalves

Com: Almeno Gonçalves, António Melo, António Fonseca, Marcantónio Del Carlo

Teatro de Vila Real

Dia 4 de Junho


«Uma comédia onde o elemento determinante da acção (a discoteca de massas Politburo) deixa espelhar uma crítica contundente mas divertida à sociedade de consumo.

Centrada em quatro comediantes que vestem a pele de múltiplas personagens (quatro porteiros da noite, quatro rapazes, quatro raparigas, um DJ e um punk), a peça levanta a questão da solidão, do encontro fortuito na noite, da procura do parceiro sexual, explorando a vertente da comédia tradicional, da alta comédia e da farsa.»


Teatro

Da Terra e do Inferno

de Thomas Berhnard e Peter Handke

Encenação: Joana Craveiro e Pedro Matos

Teatro D. Maria II - Sala Estúdio, Lisboa

Dias 7, 8 e 9 de Junho


Apresentação dos exercícios do 2º ano dos cursos de formação de actores/ produção/ realização plástica do espectáculo do ESCT/ Departamento de Teatro


Teatro/conferências

O Teatro é feito por pessoas

Por Jorge Silva Melo

Artistas Unidos

Culturgest, Lisboa

De 8 de Junho a 6 de Julho, Quartas-feiras


«Quem faz o teatro são as pessoas de diferentes saberes. Há quem saiba música e quem saiba carpinteirar, quem sabe escrever e quem tem voz potente, quem sabe pintar e quem sabe gramática, quem sabe de sapatos e quem sabe de métrica, quem sabe línguas e quem sabe contas, quem sabe de costura e quem sabe de lavar lãs. No teatro o sapateiro sobre acima da sandália. Pois ele é o encontro de todas estas pessoas com saberes diferentes. Na sociedade actual, elas não se encontram, os professores universitários nunca tomam a bica com o carpinteiro, nem o poeta discute com a cabeleireira. Mas no teatro estas pessoas todas vivem juntas, a pergunta do aderecista é tão justa como a do dramaturgista, o saber do bilheteiro tão crucial como o do tradutor.(…) Cinco aulas sobre os saberes do teatro e a sua oportunidade.» Jorge Silva Melo


Teatro

Mamã Lusitana

Cabaré com isqueiro

Encenação e dramaturgia: Marta Plazos

Trigo Limpo/Teatro Acert

Bar do Teatro - Teatro Viriato, Viseu

Dia 10 de Junho


«O cabaré é um código maluco em que o actor joga com muitas técnicas. 'Mamã Lusitania' compõe-se de 14 quadros. Cada quadro está encenado com uma chave diferente, o bufão, o clown, a comédia, a linguagem cinematográfica e televisiva, o heavy metal, o teatro do absurdo, o teatro de acção, o circo…

Cada um destes pequenos episódios foi sempre trabalhado a partir do jogo do corpo e interpretados de forma autónoma, independente da trama.» Marta Plazos


Dança

Mutis

Txatxorra's Cube

Matxalen Bilbao (Espanha) e Txatxorras (Espanha)

CAPA, Centro de Artes Performativas do Algarve

Dias 10 e 11 de Junho


Mutis

«Os corpos interrompem a continuidade do espaço, ocultam-no invadem-no, transformam-no. Mutis reflecte o interesse da coreógrafa por essa transformação do espaço, pela presença do corpo em movimento: o movimento transforma a percepção do espaço, (des)construindo diferentes lugares, tornando importante não só o que vemos mas também o que não vemos. O espaço é o lugar ocupado pelos corpos mas também a distância entre eles ou entre os acontecimentos. Todo o corpo ocupa um espaço, todo o acontecimento ocorre num espaço e tudo existe num espaço.»


Dança

Lisboa Ballet Contemporâneo

Uma Noite com Ella, Renacê e Makeba de Benvindo Fonseca

Teatro Garcia de Resende, Évora

Dia 11 de Junho


«Benvindo Fonseca tornou-se uma referência no panorama da dança portuguesa pelo seu movimento muito próprio que ali à qualidade e ao rigor uma vertente de exploração do prazer básico do movimento – o lado mais sensorial da dança.»


Dança

Ballet Gulbenkian

A Closer View de Regina Van Berkel, Quase de Rui Lopes Graça e Pergunta Sem Resposta de Hervé Robbe

TNSJ, Porto

Dias 14 e 15 de Junho


Teatro

Homem Branco, Homem Negro

de Jaime Rocha

Encenação: João Lourenço

Interpretação: Ângelo Torres, António Cordeiro

Grande Prémio de Teatro Português/SPA/Novo Grupo 2004

Teatro Aberto, Lisboa

Estreia a 15 de Junho


«Um homem branco, militante anti-racista, conhece um homem negro numa rua da cidade, onde se encontra a colar cartazes contra o racismo. A relação que se irá desenvolver entre os dois homens dará a conhecer um conjunto de situações da vida quotidiana de ambos em que, com humor e subtileza crítica, se irão revelar e desconstruir preconceitos racistas, económicos e sociais, afinal escondidos nos interstícios até dos espíritos bem intencionados.»


Teatro

A vida continua

De Carlos J. Pessoa

Teatro da Garagem

Espaço Teatro da Garagem, Lisboa

De 15 de Junho a 3 de Julho


«Neste espectáculo, 'A Vida Continua', o termo tragicomédia significa que as personagens se confrontam com situações contraditórias e que a resolução destas contradições se faz, utilizando o inverosímil, o absurdo, o anedótico, o carnavalesco e o patético, como modos de resolução cómica. Este modo de resolução das contradições, não proporcionando elevação trágica, procura proporcionar elevação irónica, isto é, rindo, o espectador deve ter presente o desconforto inerente às situações contraditórias vividas pelas personagens.» Carlos J. Pessoa


Teatro

Conferência de Imprensa e outras aldrabices

Artistas Unidos

Co-produção TNDMII/AU

Teatro D. Maria II, Lisboa

estreia a 16 de Junho


Espectáculo a partir de textos de: Harold Pinter, Marcos Barbosa, Miguel Castro Caldas, Jon Fosse, Finn Iunker, Juan Mayorga, Duncan McLean, António Onetti, Irmãos Presniakov, Spiro Scimone, Arne Sierens, António Tarantino, Enda Walsh, José Maria Vieira Mendes, Letizia Russo, Jorge Silva Melo, Davide Enia, David Harrower e Fausto Paravidino


Teatro

A Cadeira

De Edward Bond

Teatro da Cornucópia

Tradução: Luís Miguel Cintra

Cenário e figurinos: Cristina Reis

Elenco: Catarina Requeijo, Dinis Gomes, Márcia Breia, Paulo Moura Lopes

Teatro do Bairro Alto, Lisboa

De 16 de Junho a 17 de Julho


Dança

Sopro

Companhia Rui Lopes Graça

Participação: Pedro Carneiro

Teatro Camões, Lisboa

Dias 17 e 18 de Junho


Teatro

A Vida do Grande D. Quixote

de António José da Silva (O Judeu)

Teatro ao Largo

Culturgest, Lisboa

Dias 17 e 18 de Junho


«Foi em 1605 que Cervantes publicou o primeiro livro de 'El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha', fazendo assim, em 2005, quatro séculos da influência de D. Quixote na cultura do mundo moderno.

'A Vida do Grande D. Quixote de La Mancha e do Gordo Sancho Pança', escrito em 1733 por António José da Silva, conhecido por O Judeu, é um clássico do teatro português. Misturando a sátira, o burlesco, canções de ópera cómicas, e voos de fantasia surrealista, é uma dramatização espirituosa da famosa história de Cervantes acerca do iludido velho cavaleiro e o seu ignóbil escudeiro, enquanto erravam pelas terras de Espanha à procura de proezas cavaleirescas para desempenhar. Como diz o nosso herói: 'Vou a castigar insolentes, a endireitar tortos.»


Dança

Ballet Gulbenkian

O Canto do Cisne de Clara Andermatt e Organic Spirit/Organic Beat/ Organic Cage de Paulo Ribeiro

TNSJ, Porto

Dias 17 e 18 de Junho

Teatro Viriato, Viseu

Dias 24 e 25 de Junho


Teatro

A Casa de Bernarda Alba de Frederico Garcia Lorca

Encenação: Diogo Infante e Ana Luísa Guimarães

Música: Bernardo Sassetti

Com: Ana Bustorf, Cucha Carvalheiro, Custódia Gallego, Isabel de Castro, Laura Soveral, Maria do Céu Guerra, Rita Lello, Sandra Faleiro

Teatro S. Luiz, Lisboa

Dias 18, 19, 22, 23, 28, 29 e 30 de Junho


Dança

Box Nova: «Descenso (Capricho)»

De Guilhermo Weickert

Coreografia e interpretação: Guilhermo Weickert

Música: Nick Cave, Portonovo, Victor Joaquim

CCB - Sala de ensaio, Lisboa

Dia 18 de Junho


«Guilhermo Weickert mergulha nas profundezas do ser criando um trabalho sobre o medo. Um trabalho cheio de angústia mas também de humor que nos leva a corredores escuros da nossa infância.»


Teatro

Os Homens das Latas

de Edward Bond

TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra)

Encenação: Luís Mestre

AAC - Teatro de Bolso, Coimbra

De 19 a 30 de Junho


Teatro

A Solidão dos Campos de Algodão

Teatro Plástico

Encenação: Francisco Alves

Casa Conveniente, Lisboa

De 20 de Junho a 23 de Julho


Dança

When I Fall de Ivo Serra

apresentação da primeira parte do espectáculo

Produções Bomba

Estúdio Bomba Suicida, Lisboa

Dia 22 de Junho


Dança

Corpo de Baile

de Miguel Pereira

Interpretação: António Taglarini, Pedro Nuñez, Mário Afonso, e outros

Grande Auditório da Culturgest, Lisboa

Dias 23, 24 e 25 de Junho


«Comecei por uma visão geral de ilusão óptica e aos poucos fui entrando em zoom e observando os detalhes. A imagem que eu tinha dos corpos na altura, corpos perfeitos, magros, elegantes, graciosos, começou a transformar-se e comecei a notar, por entre eles, algumas assimetrias. Onde era suposto ver rigor, precisão, automatismo e leveza nos movimentos vi que, ao observar de perto, todos os corpos tinham as suas particularidades. Os mais gordos, os muito magros, aqueles que tinham imperfeições, os que não estavam no ritmo, os que tremiam, braços mais acima, pernas mais abaixo – com o zoom ia podendo observar cada vez mais detalhes – os corpos que oscilavam, que tremiam, que se desencontravam por instantes, que se mostravam inseguros, o esforço que faziam. Caras com uma expressão grave, com o pânico e o medo instalados, por instantes, ao mesmo tempo que alguns sorrisos se esboçavam. Não estavam todos certos como pareceram ilusoriamente no início, como máquinas(…)» Miguel Pereira


Dança

Olga Roriz

Lançamento Livro e Mostra de Vídeos

Teatro Camões, Lisboa

De 23 a 26 de Junho


Teatro

Confissões de Mulheres de 30

de Domingos Oliveira e Priscilla Rozenbaum

Adaptação: Leonor Xavier

Com: Fernanda Serrano, Margarida Marinho e Maria Henrique

Teatro de Vila Real

Dia 23 de Junho


«Preocupações, amores, trabalhos, terrores e glórias das mulheres de 30. Confissões baseadas em histórias reais de mulheres na faixa dos 30, num clima de humor. Alguns assuntos abordados: casamento, primeiro namorado após a separação, filhos, ex-maridos, tipos de homens no Amor, grandes sonhos, sexo, mercado de trabalho, a preocupação com a maturidade.»


Dança

People Like Us

de Romulus Neagu

Teatro Aveirense, Aveiro

25 de Junho


«Após a realização de workshops e audições em Lisboa, Viseu, Aveiro e Porto, com a participação de imigrantes oriundos de vários países, partimos para uma viagem performativa que envolve os membros destas comunidades, analisando a forma como estas se constituem, com base na memória individual e 'o efémero' das memórias pessoais fragmentadas e pulverizadas na memória colectiva. 'People Like Us' percorre um caminho que serpenteia entre todos os géneros do espectáculo, analisa experiências pessoais, de 'identidade', observa a relação entre 'o individual' e 'o colectivo', a adaptação físico-emocional 'a si próprio' e 'à colectividade'.»


Peformance/teatro

CinemaScope

De André Murraças

CAPA, Centro de Artes Performativas do Algarve

Dias 27 e 28 de Junho


«É o nome de uma lente utilizada no cinema, e criada nos anos 50, de forma a poder abrir o ângulo de captação de imagem. A projecção do filme atingia depois três vezes a largura normal da tela, mas com os avanços tecnológicos, essa exagerada medida de projecção foi adaptada para os nossos actuais écrans de cinema, sem deformar a imagem. Enquanto espectáculo, 'CinemaScope' explora o quanto o cinema, como arte, nos toa e transforma. Através do recurso a testemunhos pessoais, críticas e análises teóricas sobre filmes e técnicas cinematográficas, 'CinemaScope' transpõe para o teatro uma arte que lida apenas com duas dimensões (a altura e a largura da tela). Ao juntarmos a tridimensionalidade dada pelo palco, as palavras, as imagens e os sons passarão como que por uma lente e serão obrigados a defrontar-se com esse cruzar de duas artes: o cinema e o teatro»


Novo Circo

Kiang

Compagnia Galouma

Rivoli Teatro Municipal, Porto

Dia 29 de Junho


«Uma das companhias mais prestigiadas internacionalmente na área do Novo Circo apresenta neste espectáculo um trabalho sobre o corpo, com improvisações que misturam disciplinas de circo (neste caso cavalos) e teatro. As técnicas circenses são aqui colocadas ao serviço de um todo, o tema central em que as personagens são atiradas para uma experiência extrema, num lugar insólito. A pista de areia transforma-se em ampulheta, metáfora do tempo e da forma como o homem o vive: um longo percurso a percorrer em que, às vezes, se apagam as traças, memórias, para sempre.»


Teatro

Vincent, Van e Gogh

Peripécia Teatro

Direcção: José Carlos Garcia

Criação e interpretação: Sérgio Agostinho, Noella Domínguez e Angel Frágua

Teatro de Vila Real

Dia 30 de Junho


«Vincent Van Gogh, pintor holandês (1853-1890) é o paradigma do 'artista maldito' que não vê a sua obra reconhecida. Toda a sua vida é a história de um fracasso, de uma buscam primeiro da verdade religiosa e, mais tarde, da arte. Agora que a sua pintura é reconhecida como um dos momentos mais altos da arte contemporânea, convém lembrar que em vida Van Gogh apenas vendeu um quadro. Como conseguiu prosseguir, contra tudo e todos?»